Ameaças cibernéticas no comércio exterior crescem 231%: sua empresa está preparada?
No comércio exterior, alguns minutos de indisponibilidade podem significar muito mais do que um problema de TI.
Documentos, pagamentos, credenciais, informações aduaneiras, comunicação com fornecedores e liberação de mercadorias fazem parte de uma cadeia altamente dependente da tecnologia.
E os dados mostram por que a segurança dessa operação merece atenção.
Nosso levantamento identificou que as ameaças cibernéticas bloqueadas em empresas de comércio exterior monitoradas saltaram de 9.629 em julho para 31.860 em setembro de 2026, uma alta de 231%.
O número chama atenção.
Mas existe algo ainda mais importante por trás dele: cerca de 90% das ameaças bloqueadas estavam relacionadas à navegação em sites maliciosos e phishing.
Ou seja, enquanto muitas organizações concentram seus esforços em proteger a infraestrutura, o criminoso pode estar procurando um caminho muito mais simples:
A pessoa que está na frente da tela.
De 9 mil para mais de 31 mil bloqueios em apenas três meses
A evolução registrada durante o trimestre ajuda a dimensionar a exposição:
- Julho: 9.629 ameaças bloqueadas;
- Agosto: 12.151;
- Setembro: 31.860;
- Total no trimestre: 53.640 ameaças bloqueadas;
- Detecções no período: 171.953.
Somente setembro concentrou mais da metade dos bloqueios registrados no segmento durante todo o trimestre.
Há, porém, uma ressalva fundamental.
Durante o período analisado, ocorreram mudanças no volume e no escopo do monitoramento. Portanto, não é tecnicamente correto afirmar que a atividade criminosa, isoladamente, aumentou 231%. Parte da variação pode estar associada às mudanças na própria base monitorada.
Mesmo considerando essa ressalva, outros indicadores reforçam o nível de exposição observado no setor.
Foram registradas 174,2 detecções mensais por dispositivo no comércio exterior, patamar 41,8% superior à média geral da carteira. Já as ameaças bloqueadas alcançaram 54,3 por equipamento ao mês, 23,7% acima da média. Além disso, 26,4% dos dispositivos do segmento tiveram alguma detecção de malware bloqueada durante o trimestre.
O maior risco pode chegar disfarçado de rotina
Imagine uma situação comum.
Um colaborador recebe um e-mail aparentemente enviado por um fornecedor. A mensagem informa uma alteração bancária, solicita a confirmação de uma credencial ou direciona para uma página muito semelhante ao portal utilizado diariamente.
Um clique.
É justamente por isso que o phishing continua sendo tão relevante.
No levantamento, as empresas do comércio exterior foram responsáveis por 46,6% dos bloqueios de phishing de toda a carteira analisada.
Esse dado ganha outra dimensão quando observamos o funcionamento do setor.
Empresas de comércio exterior trabalham diariamente com documentos comerciais e financeiros, informações aduaneiras, credenciais, clientes, fornecedores e diferentes participantes da cadeia logística. A disponibilidade e a integridade dessas informações estão diretamente relacionadas à continuidade das operações.
Para um criminoso, portanto, não é necessário necessariamente “derrubar a empresa”. Às vezes, basta enganar a pessoa certa no momento certo.
Segurança da informação também é continuidade do negócio
Uma ameaça cibernética não precisa permanecer limitada ao computador de um colaborador.
Dependendo do comprometimento ocorrido, informações podem ser alteradas, expostas ou ficar temporariamente indisponíveis.
No contexto do comércio exterior, isso pode interferir em processos como:
- pagamentos;
- faturamento;
- troca de documentos;
- acesso a sistemas;
- comunicação com parceiros;
- processos de liberação de mercadorias;
- atendimento a clientes.
Em determinadas situações, atrasos operacionais também podem contribuir para impactos financeiros relacionados a armazenagem ou demurrage, por exemplo. Isso não significa que toda ameaça bloqueada resulte nesses prejuízos, mas demonstra como risco cibernético e risco operacional podem estar conectados.
É aí que surge uma pergunta importante:
Quanto custaria para sua operação ficar sem acesso aos sistemas e informações críticas justamente no momento em que mais precisa deles?
Muitas empresas descobrem essa resposta somente depois do incidente.
E esse costuma ser o momento mais caro para descobrir.
O problema não se resolve comprando uma única ferramenta
Uma falsa sensação de segurança também representa um risco.
Firewall, antivírus ou uma ferramenta isolada não tornam automaticamente uma organização segura.
A recomendação apresentada no levantamento é atuar combinando diferentes camadas de proteção:
1. Treinamento contínuo dos usuários
Capacitar colaboradores para reconhecer phishing, páginas fraudulentas, anexos suspeitos e tentativas de engenharia social.
2. Proteção dos dispositivos
Monitorar endpoints permite identificar e conter comportamentos suspeitos antes que eles se espalhem pela organização.
3. Segurança de e-mail
E-mails são um dos principais pontos explorados em ataques de engenharia social e precisam de camadas próprias de proteção.
4. Autenticação multifator (MFA)
Uma credencial comprometida não deveria, sozinha, ser suficiente para garantir acesso aos ambientes corporativos.
5. Gestão e controle de acessos
Aplicar princípios como menor privilégio reduz o alcance potencial de uma conta comprometida.
6. Atualização dos sistemas
Vulnerabilidades conhecidas e não corrigidas ampliam desnecessariamente a superfície de ataque.
7. Backups protegidos e testes de restauração
Ter backup não basta. A organização precisa verificar periodicamente se consegue efetivamente recuperar seus dados.
8. Resposta a incidentes e continuidade
A empresa precisa saber antecipadamente quem toma decisões, quais sistemas devem ser priorizados e como manter ou recuperar serviços críticos durante uma crise.
A lógica é simples:
prevenir quando possível, detectar rapidamente quando necessário e estar preparado para responder quando algo ultrapassar as barreiras de proteção.
Os dados representam um alerta, não uma previsão
O levantamento utilizado como referência analisou 110 clientes ativos de diferentes segmentos e mais de 4 mil dispositivos no Brasil, entre 1º de julho e 30 de setembro de 2026.
A carteira completa contabilizou aproximadamente 1,44 milhão de detecções e 514,6 mil ameaças bloqueadas. Os dados foram agregados e anonimizados.
Há uma distinção importante: uma ameaça bloqueada não significa necessariamente que ocorreu uma invasão ou incidente bem-sucedido, e os resultados da amostra não representam todo o mercado brasileiro.
Ainda assim, os números oferecem um sinal importante para gestores.
A pergunta deixou de ser apenas:
“Temos ferramentas de segurança?”
E passou a ser:
“Se alguém tentar comprometer nossa operação hoje, temos capacidade de detectar, conter e recuperar?”
Sua operação precisa estar preparada antes do próximo alerta
Os 53.640 bloqueios registrados no comércio exterior durante o trimestre mostram quantas interações potencialmente perigosas podem precisar ser interrompidas antes de alcançarem seu objetivo.
Em cibersegurança, muitas vezes o melhor incidente é justamente aquele que ninguém percebeu.
Porque foi bloqueado antes de causar impacto.
Mas confiar exclusivamente nessa barreira é assumir um risco desnecessário.
A segurança precisa acompanhar a criticidade da operação.
Na SLTECH, trabalhamos a cibersegurança considerando pessoas, processos e tecnologia para fortalecer proteção, monitoramento, resposta e continuidade dos ambientes corporativos.
Não espere um incidente mostrar onde estão as vulnerabilidades.
Converse com um especialista da SLTECH e avalie a maturidade de segurança da sua operação.